Método A.F.I. – Arquétipo Funcional Integrativo

Método AFI – Arquétipo Funcional Integrativo
Por Bruno MG Santos

Um modelo moderno de autoconsciência funcional inspirado em tradições orientais e evidência contemporânea

O Método AFI – Arquétipo Funcional Integrativo - PEFIC nasce da necessidade de criar uma ponte clara, prática e acessível entre três dimensões essenciais do ser humano:

1.      O corpo físico — movimento, função, postura.

2.      O corpo emocional — estados internos que influenciam tensões, hábitos e perceções.

3.      A energia funcional, entendida aqui como o ritmo vital ( ki) que interliga as duas anteriores segundo as medicinas orientais.

O AFI é uma das ferramentas estruturais da Acupuntura Integrativa Luso-Nipónica (AILN), um sistema criado para integrar conhecimento oriental clássico com abordagens modernas de movimento e autocuidado [1]. No interior da AILN, o AFI atua como um modelo de leitura funcional, complementar às técnicas clínicas e ao TFP – Treino Funcional Personalizado, metodologia dedicada à prescrição de movimentos simples, seguros e adaptados à individualidade de cada pessoa [2].

Embora inspirado em tradições orientais, o AFI não pretende replicar modelos ancestrais, mas antes traduzir princípios antigos para uma linguagem atual, acessível e funcional — sem dogmas e sem tecnicismos desnecessários.


Porquê criar o AFI?

A necessidade de um modelo simples, humano e verdadeiramente integrador

Apesar da vasta oferta atual de modelos de tipificação (Enéagrama, MBTI, DISC, sistemas somatotípicos, perfis motivacionais, etc.), a maioria apresenta ao menos uma das limitações seguintes:

·         são demasiado psicológicos e pouco corporais;

·         são demasiado corporais e ignoram o emocional;

·         são abstratos e difíceis de aplicar no dia-a-dia;

·         são usados como rótulos e não como ferramentas de autocompreensão.

Além disso, vivemos num momento histórico em que:

·         o nível de sobrecarga emocional e física é elevado;

·         a prevalência de dores funcionais (pescoço, lombar, ombros) cresce;

·         o acesso à informação nunca foi tão grande — e ao mesmo tempo tão confuso.

O AFI surge como resposta prática e atual:

Simples — 5 arquétipos fáceis de identificar.
Físico + Emocional — sempre vistos como inseparáveis.
Integrável — desenhado para ser usado no dia-a-dia.
Adaptativo — não fixa a pessoa; mostra tendências e ritmos.

Mais importante do que “quem sou” é “como funciono agora — e como posso funcionar melhor”.


As raízes do AFI

Um sistema inspirado em tradições orientais, psicologia moderna e análise funcional contemporânea

O AFI é influenciado por quatro pilares principais:

1.      Os 5 Elementos das medicinas orientais (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água) [3].

2.      A psicologia analítica de Carl Jung, especialmente os conceitos de arquétipo, sombra e função dominante [4][5].

3.      Modelos de tipificação contemporâneos, como o Enéagrama (9 estratégias humanas) [6], o DISC (4 estilos comportamentais) [7] e sistemas somatotípicos.

4.      Estruturas modernas de análise funcional, utilizadas no coaching e treino corporal contemporâneo [8].

O AFI não replica nenhum destes modelos — destila e integra os seus aspetos mais funcionais.


PEFIC - Os 5 Arquétipos Funcionais do AFI

Cada um visto no seu aspecto In  (Yin) e Yo  (Yang)

Os arquétipos do AFI são tendências, ritmos e funções predominantes — não rótulos. Cada arquétipo tem duas polaridades:

·         In () — mais interna, receptiva, introspectiva.

·         Yo () — mais ativa, expressiva, direcionada.


Chave nominal AFI - Arquétipos Funcionais Integrados


1. PILAR
2. EIXO
3. FLUXO
4. IMPULSO
5. CALOR 

   


1. PILAR (In / Yo)

Natureza: estrutura, centro, estabilidade.
Função: dá suporte interno e clareza na ação. | Sustentar, conter, estabilizar, assumir responsabilidade

Expressão funcional:

·         Capacidade de suporte físico e emocional

·         Sentido de dever, compromisso e fiabilidade

·         Tendência para contenção, controlo e sobrecarga 

Função vital: sustentação, centro, integração  

Desequilíbrio típico: rigidez, hipervigilância, dificuldade em pedir ajuda. 

Correspondências inspiradas:

·         Medicina Oriental: Elemento Terra (土) Dou [3]

·         Jung: Guardião, função sensação / introvertido [4]

·         DISC: estilo Steadiness (C/S) [7]

·         Enéagrama: equivalência funcional aproximada Tipo 1 / Tipo 6 (eixo segurança–dever) [6]

·        Modelo RayID (Gema–Corrente–Agitador–Flor, associado a iridologia)Gema [9]  

·         Ki-AILN: Ki Contido / Acumulado / Estrutural [10]

 


2. EIXO (In / Yo)

Natureza: verticalidade, alinhamento, propósito.
Função: organiza direção, foco e prioridades. | Alinhar, estruturar, dar direção e sentido.

Expressão funcional:

·         Clareza, discernimento, capacidade de decisão

·         Necessidade de compreender para confiar

·         Organização interna e externa

Função vital: estrutura, limite, sentido  

Desequilíbrio típico: rigidez mental, excessiva autoexigência, dificuldade em flexibilizar.

Correspondências inspiradas:

·         Medicina Oriental: Elemento Metal  (金) Kin [3]

·         Jung: Sábio, função pensamento [4]

·         DISC: estilo Conscientious (C) [7]

·         Enéagrama: funcionalmente próximo de Tipo 5 / Tipo 3 [6]

·         Modelo RayID: Agitador [9]

·         Ki-AILN: Ki Direcional / Ativo [10]

 


3. FLUXO (In / Yo)

Natureza: adaptação, movimento, comunicação.
Função: facilita ligação, fluidez e plasticidade. | Adaptar, circular, conservar energia.

Expressão funcional:

·         Capacidade de adaptação e resiliência

·         Gestão de recursos físicos e emocionais

·         Relação profunda com medo e segurança

Função vital: reserva, adaptação, sobrevivência 

Desequilíbrio típico: retração, fadiga, medo persistente, sensação de esgotamento.

Correspondências inspiradas:

·         Medicina Oriental: Elemento Água (水) Sui [3]

·         Jung: Explorador, função intuição [4]

·         DISC: estilo Influence (I) [7]

·         Enéagrama: funcionalmente próximo de Tipo 9 / Tipo 7 [6] 

·         Modelo RayID: Corrente [9]

·         Ki-AILN: Ki Profundo / Reserva / Fluídico [10]

 


4. IMPULSO (In / Yo)

Natureza: energia, ação, intensidade.
Função: inicia movimento e mobiliza mudança. | Iniciar, crescer, transformar.

Expressão funcional:

·         Movimento, iniciativa, criatividade

·         Capacidade de mudança e projeção no futuro

·         Relação com frustração e assertividade

 Função vital: crescimento, direção, transformação

Desequilíbrio típico: tensão, irritabilidade, impulsividade ou bloqueio da ação.

Correspondências inspiradas:

·         Elemento Madeira (木) Ki [3]

·         Jung: Guerreiro, função pensamento extrovertido e energia ativa [4]

·         DISC: elementos de Dominance (D) + Influence (I) [7]

·         Enéagrama: funcionalmente próximo de Tipo 4 / Tipo 8 [6]

·        Modelo RayID: Corrente consciente [9]

·         Ki-AILN: Ki Explosivo / Regulador [10]

 


5. CALOR (In / Yo)

Natureza: vínculo, empatia, ritmo vital.
Função: harmoniza, nutre e cria coesão. | Relacionar, comunicar, vitalizar.

Expressão funcional:

·         Empatia, vínculo, expressão emocional

·         Capacidade de inspirar e cuidar

·         Presença relacional e vocacional

Função vital: conexão, consciência, vitalidade 

Desequilíbrio típico: dispersão, hiperestimulação, desgaste emocional. 

 Correspondências inspiradas:

·         Elemento Fogo (火) Ka [3]

·         Jung: Cuidador, função sentimento [4]

·         DISC: estilo Influence (I) + Steadiness (S) [7]

·         Enéagrama: funcionalmente próximo de Tipo 2 / Tipo 7 (Eixo Altruísta -Entusiasta) [6]

·         Modelo RayID: Flor [9]

·         Ki-AILN: Ki Expansivo / Reativo [10]

 


Como usar o AFI

Autoconhecimento aplicado ao movimento e ao cuidado pessoal

O AFI não serve para catalogar pessoas, mas para:

·         compreender como o corpo reage a stress, dor ou cansaço;

·         adaptar o TFP – Treino Funcional Personalizado ao perfil funcional atual;

·         orientar práticas da Acupuntura Integrativa Luso-Nipónica;

·         ajudar o leitor a reconhecer o seu estado e escolher melhor o que precisa.

Em vez de “qual é o meu arquétipo?”, perguntamos:

Qual destes ritmos está mais ativo em mim — e o que posso treinar para reequilibrar?

 


Leitura Clínica Integrativa

Na prática clínica, raramente um arquétipo se manifesta isoladamente. O AFI trabalha com:

·         Arquétipo dominante (padrão principal)

·         Arquétipo de suporte (facilita adaptação)

·         Arquétipo relacional/complementar (modula resposta terapêutica)

A leitura funcional precede qualquer intervenção técnica e orienta:

·         comunicação terapêutica;

·         escolha de estímulos (ex.: acupuntura, TFP, educação em dor);

·         ritmo e progressão do plano clínico.


Nota de Validação Clínica

A presente correspondência foi testada e validada em contexto clínico integrativo, incluindo acupuntura, educação terapêutica, treino funcional personalizado e acompanhamento de longo prazo.

Esta revisão não invalida leituras anteriores, mas corrige a coerência simbólica e facilita a integração do AFI em manuais personalizados, notas clínicas e formação. 

 


Aviso Legal

Este método e este texto são propriedade intelectual de Bruno Santos e estão protegidos pelas normas de direitos de autor nacionais e internacionais.
A reprodução, distribuição ou adaptação do conteúdo, total ou parcial, não é permitida sem autorização expressa do autor.

O AFI é um modelo de desenvolvimento funcional e não substitui diagnóstico médico ou tratamentos de saúde convencionais.


Referências (formato APA)

[1] Santos, B. (2025). Acupuntura Integrativa Luso-Nipónica (AILN). Recuperado de https://bsacupuntura.blogspot.com/2025/12/acupuntura-integrativa-luso-niponica.html

[2] Santos, B. (2025). Treino Funcional Personalizado (TFP). Recuperado de https://bsacupuntura.blogspot.com/2025/12/treino-funcional-personalizado.html

[3] Kaptchuk, T. (2000). The Web That Has No Weaver: Understanding Chinese Medicine. New York: McGraw-Hill.

[4] Jung, C. G. (1969). The Archetypes and The Collective Unconscious. Princeton University Press.

[5] Sharp, D. (1991). Personality Types: Jung’s Model of Typology. Inner City Books.

[6] Riso, D., & Hudson, R. (1996). Personality Types: Using the Enneagram for Self-Discovery. Houghton Mifflin.

[7] Marston, W. M. (1928). Emotions of Normal People. Harcourt, Brace & Co.

[8] Kiel, F., & Lennick, D. (2015). Moral Intelligence 2.0. Pearson Education.

[9] Khalsa, G. S. (2009). Iridologia integrada: A ciência e a arte da revelação do holograma humano. Madras Editora. ISBN 9788537004692. https://www.wook.pt/livro/iridologia-integrada-gurudev-singh-khalsa/14304199 Bertrand

 [10] Santos, B. - KiPuncture. (2025, dezembro). Acupuntura integrativa Luso-nipónica. https://kipuncture.blogspot.com/2025/12/acupuntura-integrativa-luso-niponica.html


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Criofitoterapia Prática e Simples - CFPS

Argila Prática e Simples - Dicas KP